Neste post, vou compartilhar como tem sido a minha experiência como gestante em Portugal. Conto sobre as principais diferenças entre o acompanhamento pré-natal no Brasil x Portugal, direitos da gestante, parto, licença parental e o maior desafio da gestação. O vídeo completo está disponível no Youtube:
Consulta pré-concepção
Quando pensamos em engravidar, marcamos uma consulta pré-concepção com a médica de família. Ela recomendou tomar iodo e ácido fólico por pelo menos 3 meses antes da concepção, também pediu exames de sangue, para avaliar o estado geral da minha saúde e saber se eu tinha imunidade à rubéola e à toxoplasmose.
No nosso caso, com 31 e 35 anos, indicaram que seria normal levar 1 ano até conseguir engravidar. Só depois deste período é que poderíamos ser encaminhados para uma consulta com especialista de fertilidade e fazer mais exames. Depois de muita ansiedade, por uma feliz coincidência, no dia que tínhamos a consulta de fertilidade marcada, tivemos a confirmação de que estávamos grávidos!
Primeiros passos
Ao ter a confirmação da gestação, o 1º passo é marcar uma consulta com o médico de família. Nesta consulta, já nos entregam o Boletim de Saúde da Grávida, onde os médicos/enfermeiros sempre apontarão toda a evolução da gestação (peso, pressão sanguínea, resultados dos exames e ecografias, etc). Explicaram-nos os próximos passos, encaminharam para a marcação da 1ª ecografia e pediram os primeiros exames.
Outra preocupação que tivemos logo no início, foi fazer pré-inscrição em creches. Este não é um problema em todas as cidades de Portugal, mas na região metropolitana do Porto há escassez de vagas. Portanto, precisamos logo fazer uma pré-inscrição em diversas creches perto de casa e do trabalho, para garantir que teremos uma vaga para o próximo ano letivo.
Gestação de risco x normal
Em Portugal, uma gestação normal é acompanhada apenas pelo médico de família. Caso seja avaliada como uma gestação de risco, o acompanhamento é feito no hospital, por um obstetra. Em ambos os casos, costumam fazer apenas 3 ecografias por gestação: 1 por trimestre, feitas no hospital e sempre acompanhadas de exames de sangue e urina.
Minha gestação foi considerada de risco de depressão, e tenho recebido acompanhamento psicológico mensal e gratuito. Este acompanhamento seguirá até o bebê ter 1 ano, para reduzir o risco de uma depressão pós-parto.
Direitos da gestante
Ao completar 13 semanas, o médico de família emite uma declaração, para pedirmos o abono pré-natal à segurança social (INSS de Portugal), que é uma ajuda financeira. O direito ao abono e o valor variam de acordo com o salário da grávida.
Todas as grávidas têm direito ao cheque-dentista, que pode ser usado em uma clínica credenciada e não pagamos nada pela consulta. O 1⁰ cheque é emitido pelo médico de família e é válido por até 60 dias após a data prevista do parto. Depois desta consulta de avaliação inicial, o dentista pode emitir ainda outros 2 cheques, caso seja necessário algum tratamento.
Curso preparação para o parto
No Centro de Saúde, tivemos um Curso Preparação para o Parto, com enfermeiras-parteiras. O curso foi completamente gratuito e teve 6 aulas online + 3 aulas presenciais + 1 consulta com a enfermeira para esclarecimento de dúvidas (esta estrutura pode variar de um CS para o outro).
Entre os temas abordados, aprendemos sobre os cuidados do bebê e da mãe no pós-parto, nutrição, higiene oral, técnicas de controle da dor durante o trabalho de parto, exercícios e posições para facilitar o parto, amamentação, extração e conservação do leite materno…
Às 28 semanas, tomei a vacina contra o tétano, difteria e tosse convulsa (coqueluche), para já transmitir estes anticorpos ao bebê.
Mala da maternidade e Plano de parto
No 2º trimestre, recebi a lista com os itens para preparar a Mala da Maternidade (a partir das 28 semanas) e o Plano de Parto do hospital onde estou sendo acompanhada, para indicar minhas escolhas referentes a diversos temas: iluminação, música, alimentação, uso de bola de pilates, CUB e outros dispositivos de apoio durante o trabalho de parto, acompanhantes, episiotomia, parto instrumentalizado (fórceps/ventosas), analgesia…
Antes do parto, ainda teremos uma consulta com anestesista e uma visita à maternidade, para conhecer a estrutura disponível e reduzir a ansiedade.
Parto
Muito diferente do Brasil, aqui em Portugal incentivam os partos normais. Pelo Serviço Nacional de Saúde, não podemos optar por uma cesariana, a não ser que o bebê não esteja encaixado em posição cefálica, ou haja algum risco para a mãe ou para o bebê.
Como o parto é normal, não é possível escolher a equipe que acompanhará o parto: serão os profissionais que estiverem de plantão nas urgências do hospital onde eu for encaminhada. Além disso, caso o trabalho de parto evolua normalmente, quem faz o parto é uma enfermeira-parteira. Apenas em caso de necessidade, um obstetra acompanhará.
O tempo de internamento para partos normais é de 48h e, em caso de cesariana, é de pelo menos 72h.
Acompanhamento do bebê
Assim como a gestante não é normalmente acompanhada por um obstetra no SNS, o bebê também não será seguido por um pediatra, a não ser que haja necessidade para tal (ou que procuremos um pediatra privado).
O teste do pezinho, acompanhamento mensal (ou semanal, durante o 1º mês de vida) e vacinas são todos feitos no Centro de Saúde, pelo médico e enfermeiro de família.
Curso pós-parto
Também já nos contaram que teremos direito a um Curso pós-parto gratuito no Centro de Saúde, quando o bebê tiver +- 4 semanas. Neste curso, ensinarão técnicas de massagem anti-cólica para o bebê, primeiros socorros pediátricos, exercícios para ajudar na recuperação da mãe…
Licença parental
A licença parental obrigatória, paga a 100% pela Segurança Social em Portugal, é de:
- Mãe: 120 dias;
- Pai: 28 dias (7 dias obrigatórios logo no nascimento + 21 dias até o bebê completar 42 dias de vida). Há ainda a opção de tirar +7 dias de licença, em qualquer data durante a licença da mãe.
Há, ainda, a possibilidade de a mãe estender a licença para 150 dias, recebendo 80% do salário. Ou, ainda, podemos gozar uma licença parental partilhada (150+30 dias), onde a mãe tem direito a 150 dias no total e o pai tem 30 dias adicionais, além dos 28 (ou 35) dias iniciais, e recebemos 83%.
Também existe a possibilidade de cada um tirar +3 meses de licença parental alargada, até o filho fazer 6 anos. Neste caso, a Segurança Social paga apenas 30% para um progenitor, ou 40% se os dois tirarem esta licença.

São muitas as diferenças entre a maternidade no Brasil e Portugal, não é?
Cada pessoa tem a sua experiência, e a nossa tem sido muito positiva! Todo o acompanhamento que temos recebido até agora no serviço público tem sido exemplar, e não sentimos a necessidade de fazer um acompanhamento mensal com obstetra privado, como seria comum no Brasil. Se tiverem curiosidade, depois posso contar mais sobre a experiência no parto e pós-parto! Deixem aqui as suas dúvidas!

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