Auschwitz e Birkenau

Escrever sobre Auschwitz e Birkenau não é fácil, assim como visitá-los também não foi. Mas é importante falar sobre isso, para que as atrocidades cometidas nunca sejam esquecidas e, assim, não corramos o risco de repeti-las.

Auschwitz I foi fundado na metade de 1940, devido à superlotação das prisões com o crescente número de prisioneiros polacos, e foi ampliado nos anos seguintes. No fim de 1941, os alemães construíram o seu maior campo: Auschwitz II-Birkenau, que tornou-se o maior campo de extermínio em massa de judeus. Auschwitz II-Birkenau chegou a abrigar 90 mil prisioneiros em 1944. Auschwitz III – Monowitz, surgiu em 1942 como um subcampo, em Monowice, sob administração de Auschwitz, mas posteriormente foi considerado independente. Além destes três maiores, entre 1942 e 1944, surgiram outros 47 subcampos menores, também sob comando de Auschwitz.

Inicialmente, Auschwitz concentrava apenas prisioneiros polacos, mas com o avançar da guerra, também foram para lá enviadas pessoas de outros países ocupados pelos alemães, ciganos e prisioneiros de guerra soviéticos. Já na chegada, as pessoas eram selecionadas, e todos aqueles considerados inaptos para o trabalho (pessoas doentes, idosos, mulheres grávidas e crianças) eram enviados diretamente para as câmaras de gás e nem sequer eram marcadas nos registros do campo.

Auschwitz Seleção
Seleção em Auschwitz II-Birkenau (AUSCHWITZ-BIRKENAU – história e presente, 2010, p. 11)

“Dentre um mínimo de 1,3 milhões de todas as pessoas deportadas para o campo KL Auschwitz, foram registradas e direcionadas ao campo cerca de 400 mil pessoas: cerca de 200 mil Judeus, 150 mil Polacos, 23 mil Ciganos, 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos e 25 mil prisioneiros de outras nacionalidades. Mais de 50% dessas pessoas morreram em conseqüência da fome, trabalhos forçados, grande terror, execuções e também por resultado das péssimas condições de vida, doenças e epidemias, castigos, torturas e criminosos experimentos médicos.” (AUSCHWITZ-BIRKENAU – história e presente, 2010, p. 8)

Vítimas Auschwitz
Vítimas de Auschwitz (AUSCHWITZ-BIRKENAU – história e presente, 2010, p. 12)

Entre as outras vítimas estão algumas centenas, ou até milhares, de priosineiros checos, bielorussos, fraceses, russos, alemães, austríacos, eslovacos e ucranianos.

Os campos de concentração e de extermínio de Auschwitz e Birkenau estão localizados em Oświęcim, a aproximadamente 1h e 30min de Cracóvia, e pode-se chegar lá por transporte público ou em grupo. O acesso ao museu e aos campos é gratuito, mas é preciso aguardar em uma fila para emissão de um ticket nominal para o visitante (deve-se apresentar documento de identificação). O museu, que ocupa os blocos de Auschwitz-I, está aberto diariamente, a partir das 8h, e encerra a diferentes horários em cada época do ano (variando entre 15h, no inverno, e 19h, no verão). A duração da visita varia de acordo com o tempo dedicado a cada sessão do museu, mas eu recomendo no mínimo 3h e 30min para Auschwitz I e mais 1h a 1h e 30min para Auschwitz II-Birkenau.

O campo, como um todo, é um museu e memorial. Cada bloco é dedicado a um tema, onde alguns relatam cada parte desta triste história, outros relembram as vítimas e suas nacionalidades, outros reúnem as evidências encontradas ou relembram as péssimas condições de vida dos prisioneiros.

Auschwitz I
Foto aérea contemporânea dos terrenos do antigo campo Auschwitz I, tirada por Wojciech Gorgolewski (AUSCHWITZ-BIRKENAU – história e presente, 2010, p. 14)

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As fotos, os relatos e os artigos expostos são chocantes.  Centenas de fotos e descrições pessoais de prisioneiros em ambos os lados de um corredor. Toneladas de cabelo feminino, que seria vendida como matéria-prima para a produção de tecido. Incontáveis malas, roupas, calçados e objetos pessoais, de pessoas que não imaginavam que estavam embarcando no que, muito provavelmente, seria a última viagem de suas vidas. Centenas de latas vazias de Zyklon B, o veneno usado nas câmaras de gás. A cela nº 27, onde o gás foi testado pela primeira vez. A parede onde tantos foram fuzilados. A câmara de gás e o crematório.

 

Após a visita ao museu, fomos a Auschwitz II-Birkenau, que é muito maior, com centenas de barracas, muitas delas destruídas pelos próprios alemães no final de 1944, na tentativa de apagar as provas dos seus crimes. Com a aproximação do exército soviético, os nazistas destruíram câmaras de gás, documentos e objetos, e evacuaram a pé todos os prisioneiros que ainda tinham condições de andar e enfrentar o rigoroso inverno polonês, em janeiro de 1945.

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Foto aérea contemporânea dos terrenos do antigo campo Auschwitz II-Birkenau, tirada por Wojciech Gorgolewski (AUSCHWITZ-BIRKENAU – história e presente, 2010, p. 15)

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Em Birkenau, podemos ver uma réplica de como eram internamente as barracas de alojamento e de latrinas. O que não se consegue sequer imaginar é como era a vida dos prisioneiros e como chegamos a tal atrocidade. Em 27 de janeiro de 1945, o Exército Vermelho finalmente chegou a Auschwitz e libertou os cerca de 7 mil prisioneiros que ainda lá estavam.

 

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Após a libertação, o campo tornou-se um memorial por iniciativa de um grupo de ex-prisioneiros. Atualmente, é mantido pela Polônia, com o apoio financeiro da Alemanha e de outros países, diversas instituições, fundações, pessoas particulares e projetos sociais. Para saber mais, acesse o material oficial do museu, gratuito e super detalhado, aqui.

“Those who do not remember the past are condemned to repeat it.” George Santayana

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